Encerrou nesta última sexta-feira (2) o 8º Encontro de Artes Cênicas da Baixada Fluminense. Todas as atrações foram gratuitas, mas a maioria da população não sabe ao menos que o evento anual existe. Nova Iguaçu é uma cidade estranha. Ela abriga cerca de 1 milhão de habitantes, conta com instituições de ensino superior, mas não oferece praticamente nenhuma opção cultural à sua população.
Para que exista uma população consciente, seja na hora de escolher um candidato ou de não poluir a cidade, é necessário que haja um investimento forte em educação. Para isso, os equipamentos culturais desempenham um importante papel por serem uma extensão de convívio social da população, que começa na escola, mas que não deve terminar nela.
Em julho de 2007, foi liberado o Fundo Municipal de Cultura, para 18 grupos culturais da cidade, que receberão verbas que variam de R$ 8 mil a R$ 10 mil. De acordo com informações do Site da Baixada, portal de notícias da localidade, os grupos têm até 10 meses para produzir e apresentar os resultados dos seus trabalhos à população.
Foi a primeira vez que grupos culturais da cidade foram escolhidos através de um processo seletivo, obedecendo a edital público. Esta ação afirmativa pode render bons frutos se os trabalhos dessas entidades forem seriamente fiscalizados e mantidos. É uma verba ainda irrisória para o investimento de que Nova Iguaçu precisa na questão cultural. A cidade não conta com livrarias (só existem sebos), museus e boas bibliotecas.
As construções históricas estão sendo corroídas por falta de manutenção. É claro que contamos com a Casa de Cultura de Nova Iguaçu, mas ela é um espaço microscópico em vista do que sua população tem para oferecer e consumir em relação a cultura.
O desconhecimento do pouco que existe de cultura também é um problema de grande relevância: as formas de divulgação ainda estão muito abaixo do desejado. Elas são voltadas prioritariamente para a região do centro da cidade, esquecendo de cerca de 80 bairros que também compõem a cidade. Sem contar que não se sabe efetivamente o que o público iguaçuano quer. Antes de se implantar qualquer política cultural na cidade, faz-se necessário mapear os desejos e as tendências desta população.
A cultura e a educação podem refletir em melhorias nos dramas corriqueiros de Nova Iguaçu, como as seguidas enchentes, a depredação dos espaços públicos e a falta de participação nas atividades políticas. Por isso, buscarei trazer neste blog, os avanços e os retrocessos culturais desta cidade que conta com imenso potencial, mas que sofre de uma doença crônica: a insuficiente gestão de seus representantes.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Assinar:
Comentários (Atom)